• Amanda Medeiros

Você já ouviu falar no jejum intermitente?


Por: Amanda Medeiros,

Nutricionista

Quantas vezes você deve ter escutado falar que para emagrecer devemos comer de três em três horas. Não é bem assim. Dietas de jejum estão ganhando cada vez mais aceitação.


Você deve ter escutado que é ´´perigoso´´, ´´prejudicial´´ o fato de que em jejum não ingerimos glicose. Concordo, nosso cérebro precisa de glicose. Mas a glicose não precisa vir somente do cérebro. Nosso fígado produz 200 g de glicose diariamente e nosso organismo tem uma capacidade incrível de armazenar gordura.


É possível perder peso jejuando. Há várias vertentes. O jejum intermitente, vem causando zum zum zum ultimamente! O assunto é bem estudado e com bons resultados. Se pensarmos bem, deixar de comer por algumas horas, faz parte do nosso metabolismo original. Nossos ancestrais ficavam dias sem comer até caçarem uma presa e, depois comiam muito durante alguns dias. O jejum intermitente é exatamente isso! É deixar de comer comida ou qualquer alimento calórico por 24 horas. Líquidos considerados não calóricos como água, chá, café estão liberados. Um exemplo de jejum intermitente é não ingerir alimentos durante 20 horas e ingerir todos os alimentos em uma janela de 4 horas. Nos últimos anos o jejum intermitente vem ganhando atenção popular e aprovação científica.


O neurologista do Instituto Nacional sobre Envelhecimento em Maryland - Mark Mattson, explica que não há problema em pular as refeições, pois o corpo se adapta, se acostuma.


Um outro estudioso do assunto, Brad Pilon escreveu um livro com embasamento científico onde ele desenvolve alguns conceitos chaves que compartilharei com você:


´´Só existem dois estados metabólicos possíveis: alimentado ("fed") ou "em jejum" ("fasted").

  • Simples assim. Enquanto estamos no estado alimentado, o corpo está no modo armazenamento; e no estado de jejum, usa as reservas;

  • Nossos antepassados mantinham um equilíbrio entre os dois estados;

  • No nosso estilo de vida atual, passamos no mínimo 2/3 do tempo no estado alimentado, comendo a cada 3 horas, o que impede o uso das reservas de gordura

  • A insulina é reduzida com low carb, mas nunca fica tão baixa quanto em jejum.´´

  • Alguns alimentos elevam muito pouco a insulina, mas nada BAIXA a insulina tanto quanto simplesmente não comer

  • O metabolismo não desacelera com jejuns curtos.

  • Na verdade ele pode até mesmo aumentar!! O incrível é que, do ponto de vista evolutivo, isto é óbvio: quando estamos com fome, precisamos ter energia para ir à luta e caçar algum animal ou achar umas raízes - se desacelerássemos, nossa falta de comida só pioraria, e morreríamos. Isto é diferente da fome crônica, na qual desaceleramos para não morrer.

  • O metabolismo não depende muito do que você come ou deixa de comer, e sim de sua quantidade de massa magra (músculo):


Falando em massa magra, estudos científicos comprovaram que desde que a pessoa pratique musculação, não há perda de massa magra, e muito menos redução da taxa metabólica. A redução da taxa metabólica existem, mas ocorre na restrição calórica crônica e prolongada, não em jejuns intermitentes curtos.


Veja bem, o jejum intermitente é apenas indicado para pessoas saudáveis, não usuários de medicação e não gestantes ou lactantes. Em casos específicos devem ser avaliados individualmente. O importante é respeitar a individualidade de cada um. A ciência esta em constante evolução e é necessário estar aberto e aceitar o diferente, aceitar outras vertentes. Antes de qualquer decisão procure um médico ou nutricionista.


Um beijo.


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Amanda atende na Clínica Splendore, localizada na Avenida Min. Geraldo Barreto Sobral, 2131. Centro Médico Jardins - Sala 705.