• Luxo Aju

Política by Adiberto de Souza


“Galeguinho” seria inimputável?


Muita gente se surpreendeu com a liminar concedida em favor de Carlito Ferreira de Jesus, o “Galeguinho da Roupa”, flagrantemente filmado atirando contra o próprio irmão. A estranheza maior foi porque o indigitado estava foragido desde a decretação de sua prisão preventiva, permitindo suspeitar que não deseja colaborar com a Justiça na apuração do crime a ele atribuído. E vão logo dizer: Decisão judicial se cumpre e pronto. Certíssimo! As decisões, contudo, devem ser discutidas, até para melhor compreensão do público leigo. Na liminar em favor do acusado, o desembargador Alberto Romeu Gouveia Leite exige, entre outras coisas, que o agora ex-foragido comprove em Juízo que se encontra em tratamento psicológico. Diante disso, alguém há de perguntar: Seria o dito cujo ruim da cabeça, daqueles de sair por aí atirando em todo mundo? Se a resposta for positiva, surge outra indagação: Em sendo o homem inimputável, portanto, incapaz de responder por si judicialmente, não seria mais prudente interná-lo num hospício antes que ele, em nova crise mental, mate inocentes a três por dois? Estas são apenas dúvidas, nenhuma delas, frise-se, com a intenção de afrontar a liminar do desembargador, pois decisão judicial se cumpre e pronto. Ademais, cabe às defesas das ditas vítimas do acusado recorrer ao colegiado do Tribunal de Justiça contra o salvo-conduto agora concedido. Enquanto isso não ocorre, porém, o temido “Galeguinho da Roupa” permanecerá livre, leve e solto, para tristeza e medo de seus desafetos, particularmente do irmão de sangue que, por pouco, não virou defunto. Crendeuspai!


Meu pirão primeiro


Segundo o deputado federal Gustinho Ribeiro (SD), “a renovação política também é combater a demagogia e dialogar francamente com a população”. Será que, sem ser demagogo, o jovem Gustinho consegue dialogar com os eleitores sobre a sua aposentadoria 37 anos de idade como ex-deputado estadual. Pior é que a vida mansa do ardoroso defensor da “renovação política” será custeada pelos contribuintes sergipanos. Homem, vôte!


Salvo pelo gongo


Com o título acima, a amiga Thais Bezerra publicou no Jornal da Cidade a seguinte nota: “O prefeito de Canindé, Ednaldo da Farmácia (Republicanos), foi salvo pelo gongo. É que tramita no Tribunal de Justiça um pedido de intervenção naquele município. Por sorte do gestor, a solicitação do Ministério Público chegou na véspera do recesso judiciário, que só terminará no próximo dia 6. Mesmo que o TJ decida pela intervenção, isso só ocorrerá quando 2020 chegar. Até lá, Ednaldo vai empurrando os problemas da Prefeitura com a barriga, para desespero dos credores e servidores públicos”. Arre égua!


O povo paga


Com a decisão do Supremo Tribunal Federal para que o conselheiro Clóvis Barbosa volte à ativa, o Tribunal de Contas de Sergipe terá uma despesa extra: bancar o gabinete do conselheiro Flávio Conceição, desaposentado após a Justiça inocentá-lo da acusação

de ter metido a mão grande no dinheiro público. Ora, se Clóvis retorna ao “batente”, o correto é afastar Flávio, até para que o contribuinte não pague a enorme conta de oito caros gabinetes, num TCE que, legalmente, só pode ter sete conselheiros. Marminino!


Conta gotas


O governo de Sergipe começa a pagar os salários de dezembro nesta segunda-feira. Hoje vão receber os servidores em atividade, aposentados e pensionistas com vencimentos de até R$ 3 mil. Também bota o salário no bolso o pessoal efetivo do Sergipeprevidência, Ipesaúde, Segrase, Agrese, e todos os servidores da Secretaria da Educação. Quem ganha mais de três “pilas” só verá a cor da grana no dia 10 de janeiro do próximo ano. Danôsse!


Pesquisas só registradas


A partir de quarta-feira próxima, 1º de janeiro, os institutos de pesquisa de opinião estão obrigados a registrá-las na Justiça Eleitoral. A legislação determina, ainda, que todos os órgãos públicos ficam proibidos de distribuir benefícios, bens ou valores, exceto no caso de calamidade pública. Também não podem aumentar gastos com publicidade acima da média dos últimos três anos. O calendário eleitoral prevê para abril, uma campanha nas rádios e televisão visando incentivar a participação das mulheres nas eleições de 2020. Ah, bom!


Invocados com Gualberto


Não chamem para a mesma festa de Réveillon o deputado estadual Francisco Gualberto (PT) e a turma da tendência petista Articulação de Esquerda. Pode sair empurrões e, quem sabe, até facão. A galera está tiririca com Chiquinho porque ele, na calada da noite, se aposentou como deputado horas antes de votar a favor da famigerada reforma da Previdência. O pessoal da AE pensa, inclusive, em pedir a expulsão de Gualberto do PT. Misericórdia!


Cantor prefere o Rio


A Prefeitura de Aracaju quase contratou o cantor Diogo Nogueira para animar o Réveillon a Orla de Atalaia. O contrato estava praticamente fechado quando o empresário do artista telefonou cancelando o que tinha apalavrado. Soube-se depois que Diogo Nogueira preferiu animar a virada do ano no Rio de Janeiro. Diante da desistência daquele que seria a principal atração do nosso Réveillon, a Prefeitura contratou os cantores Péricles, Kaelzinho Ferraz, Winnie Souza e a banda Patusco para animar a Festa da Virada. Melhor assim!


Réveillon da fome


Para os servidores de 26 prefeituras o Réveillon será de fome e tristeza. Sem receber o 13º salário, milhares de funcionários municipais não têm motivos para festejar a chegada de 2020. Segundo reportagem do Jornal da Cidade, ainda não pagaram o 13º salário os seguintes municípios: Aquidabã, Arauá, Canindé do São Francisco, Carira, Carmópolis, Cristinápolis, Feira Nova, Frei Paulo, Gararu, General Maynard, Japaratuba, Laranjeiras, Malhada dos Bois, Monte Alegre, Muribeca, Pacatuba,

Pedrinhas, Pirambu, Santana do São Francisco, Santo Amaro das Brotas, São Domingos, Siriri, Telha, Tobias Barreto, Tomar do Geru e Umbaúba. Uma lástima!


Calado como resposta


Invocado com a nota de 1,3 dada à educação estadual pelo Sindicato dos Professores, o governo de Sergipe foi curto e grosso. Disse não reconhecer “nenhuma legitimidade e competência nos critérios de avaliação do Sintese e, portanto, não tem nada a declarar sobre ele”. O sindicato explica que a nota baixíssima foi aplicada pela não implantação do reajuste do piso salarial, descumprimento do plano de carreira, atraso no pagamento dos aposentados, etcétera e tal. Vixe!


Recorte de jornal


Publicado no aracajuano Sergipe Jornal, em 31 de dezembro de 1947.