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Política by Adiberto de Souza




TCE, um tribunal político Com mais de oito meses de atraso, pois foi fundado em março, o Tribunal de Contas de Sergipe festejou seus 50 anos esta semana. Criado para fiscalizar as ações do Executivo e do Legislativo, o TCE funcionou neste meio século mais como um biombo político do que como um órgão técnico auxiliar da Assembleia. Ali, quase todos os conselheiros têm herdeiros com mandatos, enquanto muitos políticos aboletam familiares e agregados em bem pagos cargos comissionados do TCE. Nada demais para uma instituição pública nascida de uma jogada política. Contam as línguas feridas que o então governador Lourival Baptista (1967-1971) desejava concorrer ao Senado, porém não queria entregar o governo ao vice Manoel Cabral Machado, cidadão acima de qualquer suspeita. Num estalo, o caudilho resolveu a questão: criou o Tribunal de Contas e colocou como presidente justamente seu vice. Homem honrado, doutor Cabral Machado viveu o suficiente para assistir o TCE, concebido com vestes de pomba, virar um sapo ao cair nas mãos do diabo da política. Aliás, o Tribunal de Contas de Sergipe atesta o que prega o ditado popular: Pau que nasce torto, morre torto. Crendeuspai! Fake news A Assembleia desmentiu que servidores diagnosticados com Covid-19 continuam trabalhando no prédio do Legislativo. “Desde o início da pandemia foram adotadas medidas rigorosas de prevenção à doença e protocolos de segurança. Os casos que testaram positivo no 1º semestre foram noticiados para a imprensa, inclusive o do próprio presidente Luciano Bispo (MDB) e demais parlamentares, num ato de transparência, responsabilidade e segurança de saúde pública”, afirma nota da Assembleia. Então, tá! Ponta de faca A delegada de polícia Danielle Garcia (Cidadania) vai demorar a apreender o saracoteio dos políticos. Enquanto continuar subindo nos tamancos colherá mais espinhos do que flores. Na campanha passada, ela perdeu mais do que ganhou ao chamar de moleque o deputado estadual Rodrigo Valadares (PTB), além de perguntar “quem é Rodrigo na fila do pão?”. Resultado: afastou um possível apoio do petebista no 2º turno e perdeu as eleições. Agora, zombou do ex-governador e líder político Jackson Barreto: “Tadinho, a gente tem que respeitar um idoso”, fustigou. Alguém precisa dizer à delegada que, diferente da polícia, na política se engole sapo e arrota camarão. Misericórdia! Lorota política Não acreditem nessa história de construção do prometido Canal de Xingó, que beneficiaria com água os sertanejos sergipanos. Os defensores do projeto deveriam explicar que para abrir os 300 quilômetros de canais na Bahia e em Sergipe serão necessários R$ 2,4 bilhões. Além de não existir recursos garantidos para a obra, não há vontade política do governo Bolsonaro para fazer tamanho investimento no semiárido nordestino. Para se ter uma ideia, somente o anteprojeto da primeira etapa do Canal de Xingó foi avaliado em R$ 6,8 milhões. Portanto, tudo não passa de conversa mole pra boi dormir. Home vôte! Me dá um dinheiro aí No apagar das luzes do período legislativo, a Assembleia aprovou autorização para o governo de Sergipe fazer um empréstimo de R$ 42 milhões junto ao Banco do Brasil. A justificativa para mais este endividamento é que o dinheiro será usado para amortizar um empréstimo anterior feito ao Banco Daycoval. Segundo a bancada governista, a vantagem da transação é que os juros cobrados pelo BB são de 4% ao ano, enquanto o Daycoval cobra 15%. Talvez essa explicação sirva de consolo ao contribuinte que, no fundo, é quem vai pagar mais esse “prego” oficial. Danôsse! Alça de mira Dependendo do Ministério Público Federal, a interventora da Universidade Federal de Sergipe será defenestrada do cargo o mais rápido possível. Em ação civil pública, o MPF pede que a Justiça obrigue o Ministério da Educação a indicar o futuro reitor da UFS entre os eleitos para a listra tríplice. No entender do MPF, a escolha de reitores fora das listas tríplices enviadas pelas comunidades acadêmicas e a nomeação de interventores representam ofensa ao regime constitucional democrático, que tem como uma de suas garantias a da autonomia universitária. Certíssimo! Intervenções condenadas E o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, acaba de determinar que o governo Bolsonaro respeite as listas tríplices enviadas pelas universidades para a escolha de seus reitores. A medida, que ainda será levada ao plenário do STF, deve ser cumprida imediatamente. O Ministério da Educação já nomeou interventores para seis instituições de ensino superior, inclusive para a Universidade Federal de Sergipe. Desconjuro! Pires nas mãos O prefeito reeleito Edvaldo Nogueira (PDT) se reuniu, ontem, com cinco dos oito deputados federais sergipanos. O objetivo do encontro foi pedir o apoio deles para uma emeda de R$ 80 milhões, destinados ao financiamento da maternidade em construção na zona norte de Aracaju. Com inauguração agendada para 2021, a unidade de saúde terá capacidade para realizar 500 partos por mês. Feliz com a boa recepção dos deputados à sua proposta, Nogueira promete pedir apoio aos demais integrantes da bancada federal sergipana. Ah, bom! Pressão funcionou Pressionado pelos servidores estaduais, o governo de Sergipe retirou da pauta da Assembleia o Projeto de Lei sobre a Reforma da Previdência. De acordo com os representantes do funcionalismo, a propositura do Executivo acaba com conquistas históricas da categoria, como a aposentadoria especial do pessoal da saúde. Deputados e lideranças dos servidores vão continuar discutindo sobre o projeto, na tentativa de impedir que o governo retire direitos adquiridos ao longo do tempo, com muito suor e lágrimas. Só Jesus na causa! Arrumando as gavetas E os prefeitos que não se reelegeram estão arrumando as gavetas para entregar os birôs vazios aos substitutos. Alguns também estão limpando os cofres, objeto de desejo de muitos políticos. Aliás, contam nas esquinas de Sergipe que dias antes de findar o mandato, certo prefeito do interior teria pintado o cofre da prefeitura de banco para confundi-lo com uma simples geladeira e levado pra a casa dele na maior desfaçatez. Marminino! Recorte de jornal

Publicado no jornal estanciano A Razão, em 24 de março de 1912.