• Luxo Aju

Política by Adiberto de Souza


Um ano para ser esquecido


Este 2020 foi, de longe, o pior ano para a oposição aracajuana. Além de não terem elegido quem pretendiam, os adversários do governo ainda perderam cadeiras na Câmara de Aracaju. Considere-se, ainda, a divisão provocada pelas eleições entre os oposicionistas. O PSB talvez tenha sido o partido mais derrotado, pois Valadares Filho, sua principal liderança, não se elegeu vice-prefeito e a legenda perdeu a cadeira na Câmara da capital. Derrotado nas urnas, o DEM deixou de banda a liturgia do posto e foi pedir abrigo no palanque governista. De tanto brigarem entre si, os bolsonaristas foram execrados nas urnas e ainda hoje estão falando sozinhos pelas esquinas da vida. Já o PT sentiu na pele o que é trocar o bem bom do governo pelo relento da oposição. Com Lula e tudo, o candidato petista Márcio Macedo não sobreviveu ao 1º turno. Uma vergonha! Tomara que os desacertos políticos deste ano sirvam de experiências à esfacelada oposição, para este retumbante fracasso não se repita nas próximas eleições. Misericórdia!


Tirou o time


Após ter levado um chega pra lá nas urnas, o delegado de política Paulo Márcio (DC) pendurou as chuteiras da curtíssima carreira política. Em extensa nota, o homem anuncia a desfiliação do partido para trilhar outros caminhos, “convencido que estou não possuir os atributos e apetrechos necessários para sobreviver em um meio saturado de valores tanto mais tóxicos quanto mais incompreensíveis”. Paulo Márcio disputou a Prefeitura de Aracaju e só teve minguados 634 votos. Diante de votação tão pífia, se conclui que a política foi que abandonou o delegado. Home vôte!


Exercício de futurologia


Embora as eleições de 2022 estejam ainda bem distantes, os políticos não passam um dia sem falar delas. Apesar do disse-me-disse, é impossível garantir hoje quem estará com quem daqui a dois anos. Mesmo com tantos encontros políticos para tratar sobre o pleito futuro, nada que se diga agora terá valor quando chegar a hora de a onça beber água. Portanto, quem apostar em exercícios de futurologia sobre as eleições de 2022 poderá dar com os burros n’água. Arre égua!


Exige investigação


E o senador Rogério Carvalho (PT) quer ver a Procuradoria Geral da República investigando os supostos relatórios produzidos pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para proteger o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos). Segundo a revista Época, a Abin gastou tempo em dinheiro para produzir documentos defendendo o filho mais velho do presidente Bolsonaro, acusado de fazer traquinagem com recursos públicos. Segundo Rogério, a denúncia deixa claro que “investigar e punir no Brasil se trata de questão política”. Danôsse!


Churrasco perigoso


A picanha, a fraldinha e a maminha assadas na brasa, símbolos de um bom churrasco, estão se tornando inimigas do clima. É que a carne, desde a criação do gado até a mesa, é responsável pela liberação de grande quantidade de gases que causam o aquecimento global. Segundo o Observatório do Clima, os impactos provocados pela agropecuária respondem por 69% das emissões de gases de efeito estufa do Brasil. Diante disso, a recomendação é que o consumo de carne de boi seja menor e a produção mais eficiente. Então, tá!


Boquinha de volta


Derrotado nas urnas em Canindé do São Francisco, Kaká Andrade (PSD) reassumiu o bem pago cargo comissionado que ocupava até junho no governo de Sergipe. Aliado político do governador Belivaldo Chagas (PDS), o distinto foi renomeado para a presidência do Instituto Tecnológico e de Pesquisas do Estado de Sergipe. Parente do deputado estadual Jeferson Andrade (PSD) e do conselheiro Ulices Andrade, do Tribunal de Contas de Sergipe, Kaká perdeu a disputa pela Prefeitura de Canindé para o petista Weldo Mariano. Aff Maria!


Sonho de verão


O senador Alessandro Vieira (Cidadania) pode disputar a presidência do Senado. O moço faz parte do Muda Senado, grupo independente que reúne 18 senadores de diferentes partidos e tem seis pré-candidatos para a eleição à presidência da Casa, marcada para fevereiro de 2021. O bloco marcou reunião presencial para 15 de janeiro visando escolher o congressista que reúna mais chances de ser eleito. Nenhum do grupo figura entre os favoritos. Ah, bom!


E a reforma política?


Quando será que o Congresso vai se debruçar sobre a tão prometida reforma política? Enquanto isso não ocorrer, persistirão os elevados índices de abstenção nas eleições. A recusa de parte da população em ir às urnas é uma reação às bodegas em que se transformaram os partidos. Seus ‘donos’ enxergam o eleitor como simples mercadoria, vendida abertamente nas campanhas eleitorais. Lamentavelmente, ainda existem aqueles que condenam a reação popular contra a malandragem dos políticos. Quem age assim deseja que tudo continue como está para seguir se locupletando. Só Jesus na causa!


Sujeira cara


Antes de serem concluídas, as obras de reforma da Orlinha do Bairro Industrial, na zona norte de Aracaju, já foram emporcalhadas por pichações. O prefeito Edvaldo Nogueira (PDT) lamentou a sacanagem dos pichadores: “Nem inauguramos ainda e já vamos ter que refazer a pintura destes espaços. Desperdício de recurso público por conta de vândalos, que não têm amor ao bem público e à cidade”, postou o pedetista nas redes sociais. Certíssimo!


Batendo em retirada


Apenas a classe política parece não enxergar que a Petrobras está batendo em retirada de Sergipe. Agora mesmo a estatal acaba de vender para a Energizzi Energias do Brasil seu quinhão no campo terrestre de Rabo Branco, localizado nosso estado. O valor da transação é de US$ 1,5 milhão, pago pela metade do empreendimento, pois os outros 50% são da empresa Petrom. Enquanto os políticos sergipanos festejam uma promessa de investimento futuro, apostando no ovo ainda no fiofó da galinha, a Petrobras segue se desfazendo das tralhas e juntando os trens para picar a mula da terrinha. Crendeuspai!


Recorte de jornal



Publicado no jornal Correio de Aracaju, em 15 de fevereiro de 1918.